A dor emocional é uma experiência universal e inevitável. Afinal, trata-se de uma condição humana, que surge à medida que se tem uma vida significativa. Pontual ou transitório, seu estímulo exige resposta e, dependendo da reação, a dor emocional pode se transformar em sofrimento severo. Para lidar com essa inflexibilidade psicológica, entra em cena psicoterapias cognitivas. Entre elas está a ACT, como é conhecida a Terapia de Aceitação e Compromisso.

ACT é a sigla do nome em inglês da terapia de aceitação e compromisso (Acceptance and Commitment Therapy). Essa forma de psicoterapia faz parte do que é conhecido como “terceira onda” das terapias cognitivo-comportamentais. Na visão da ACT os processos que estão por trás dos sofrimentos mentais são processos normais da mente humana, mas que estão disfuncionais ou aplicados de maneira inadequada. Esses processos estão relacionados à linguagem e como lidamos com o mundo a partir dela.

A linguagem é um conjunto de símbolos que representam na mente o mundo real em que vivemos e nos ajudam a comunicar o que pensamos. O problema é que muitas vezes não nos damos conta de que os símbolos são apenas isso e não objetos reais ou verdades (ou seja, que pensamentos não são reais, não são verdade). Na tentativa de “resolver” os problemas da vida essa ferramenta poderosa faz nossa mente analisar, planejar e comparar pensamentos até resolver a questão. No entanto, pode ser uma armadilha que nos prende em um mundo de imaginação, presos em nossos pensamentos sem perceber que o mundo real não é igual a eles (não é por que você fica pensando que você é assim ou assado que isso seja verdade; não é por que você acha que algo vai dar errado e você cria um monte de planos para evitar isso que vai dar mesmo errado… ou que vá dar certo).

Processos terapêuticos da ACT

A ACT trabalha com 6 processos terapêuticos:

  1. Contato com o momento presente – não se deixar levar pelos pensamentos e ficar centrado no que acontece agora estando atento ao que ocorre no mundo e como os processos da nossa mente funcionam.
  2. “Desfusão” – Aprender a ver os pensamentos como pensamentos. Separar-se psicologicamente deles. Não acreditar piamente nos produtos da sua mente, nos seus próprios pontos de vista.
  3. Aceitação – estar aberto para perceber tudo o que acontece de pensamento e sensações não julgando. Assim você evita dirigir sua vida pela fuga das experiências, pela fuga dos seus medos.
  4. Valores – ter claro quais são as coisas importantes da sua vida, o que realmente importa.
  5. Ação comprometida – fazer os movimentos da vida serem governados não pelo medo, mas pelos valores. O critério de “verdade” da ACT não é se algum pensamento é certo ou verdadeiro historicamente, mas se ele “funciona” para levar o sujeito até seus valores.
  6. “Eu como contexto” – aprender a observar-se e perceber as mudanças que ocorrem na mente dependendo das situações.

Objetivo terapêutico na ACT

O principal objetivo da ACT é ajudar o paciente a alcançar a flexibilidade psicológica. Essa flexibilidade permite que a pessoa passe pelas dores da vida mantendo um compromisso com sua saúde física e mental, com seus objetivos de vida mais importantes. Isso significa reconhecer, aceitar, que existem limitações na vida e que problemas acontecem. Apesar disso nós podemos ter uma vida plena desde que exista um comprometimento com isso. O que ocorre no processo terapêutico da ACT é uma mudança na relação da pessoa com sintomas e com sua vida e a formulação de uma ação guiada pelos seus valores. O objetivo é alcançar uma vida rica, plena e com significado e não ficar fugindo do que quer que possamos experimentar. Isso faz da ACT é uma terapia muito otimista e corajosa.

Apesar de ser uma técnica nova já conta com muitas evidências de que seja efetiva em várias situações. Diversos centros de pesquisa no mundo usam e pesquisam ACT para ajudar pessoas a lidar com dor e doenças crônicas, depressão, ansiedade, fobia social, transtornos alimentares, transtorno obsessivo compulsivo, dependência química e várias outras situações. Para cada uma dessas situações existem protocolos já testados, mas os pesquisadores incentivam os terapeutas de ACT a serem criativos. É uma forma dinâmica de terapia, que usa muitas metáforas e exercícios de percepção, e pode ser aplicada tanto individualmente como em grupo.

A terapia de aceitação e compromisso é bem o que sua sigla quer dizer em inglês: “act”, em português, “ação”. Agir apesar dos problemas.

O terapeuta e o paciente se comunicam de forma direta e colaborativa, discutindo problemas, estabelecendo metas para o tratamento e desenvolvendo estratégias para o seu alcance. Objetiva-se que essas estratégias sejam apreendidas pelo paciente de tal forma que ele se torne, ao final do tratamento, o seu próprio terapeuta.

Por Luiz Carlos

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