Um novo olhar para a ansiedade: disposição para sentir e ser capaz de seguir em frente na direção do que é importante em sua vida.
Na sociedade em que vivemos, fomos ensinados que a ansiedade é um problema; e que quando ela aparece, algo não vai bem e logo devemos nos esforçar para acabar com ela.
Com este aprendizado, ficamos atentos aos seus sinais e, quando detectamos alguns, uma espécie de alarme interno dispara, na tentativa de eliminá-la. Com o passar dos anos, isso se torna praticamente automático. Muitas vezes, nem notamos quando estamos fazendo algo com intuito de escapar da ansiedade e do conjunto desagradável de sensações, emoções e pensamentos que a acompanham.

O que pode acontecer é que, na tentativa de controlar a ansiedade, ou no desejo de não querer experimentá-la, é comum percebermos que estamos cada vez mais ansiosos e reféns da ansiedade, pois as tentativas de lutar contra ela muitas vezes se mostram contraproducentes e ineficazes à longo prazo. Estas batalhas costumam resultar em tristeza, culpa, fracasso, medo e uma forte sensação de esgotamento. Não é a toa que o número de pessoas que sofre de ansiedade gira em torno de 33% da população mundial, segundo um levantamento feito pela OMS(2016).

É como estar lutando para sair de uma areia movediça: quanto mais você bate suas pernas e seus braços desesperadamente para tentar subir à superfície, mais percebe que está afundando. Note que na ansiedade, assim como na areia movediça, quanto mais luta, mais você afunda, mais forte parece ficar a ansiedade. Em ambos os casos, o problema está no controle.

Então, como devemos lidar com a ansiedade? O que pode funcionar? A resposta pode estar dentro da pergunta: “O que você faria se não sentisse ansiedade? O que estaria acontecendo em tua vida se a ansiedade não lhe perturbasse?”
Se você já sofreu ou sofre com a ansiedade, poderá refletir se o que realmente lhe incomoda é a ansiedade em si, ou o que você tem deixado de fazer por causa da ansiedade. O que nós terapeutas escutamos na maioria das vezes é que o pior da ansiedade é o que deixamos de fazer por causa dela. É isso que acaba levando muitas pessoas a sentirem que suas vidas estão estagnadas, ou lhes foram roubadas pela ansiedade, pois já não podem fazer aquilo que gostariam e que é importante para elas (ex.: estar num grupo de amigos, ver um filme, ir ao cinema, ir ao estádio de futebol assistir uma partida do seu time do coração, dirigir, ir a um encontro amoroso, trabalhar, estudar, andar de ônibus, entre outras tarefas simples do dia a dia).

A ACT propõe a aceitação, no lugar da luta e do controle. A aceitação da ansiedade envolve disponibilidade/abertura para lidar com os eventos internos desagradáveis que a acompanham tal qual eles aparecem. Ironicamente, a aceitação é uma das maiores mudanças funcionais possíveis. Aceitar não é estagnação ou resignação. Ao contrário, aceitar é uma atitude altamente comprometida com aquilo que é importante para nós: é escolher seguir em frente, ainda que na presença da ansiedade, para buscarmos uma vida plena e cheia de significado, abandonando as estratégias de controle e esquiva que não funcionam para alcançarmos a vida que queremos.

Se você sofre tentando se livrar da ansiedade e tudo que tem feito parece não estar funcionando, experimente buscar ajuda. Pode ser que mudar a forma de ver e se relacionar com sua ansiedade seja útil. Você pode aprender a vê-la não mais como uma inimiga a ser combatida, mas sim como uma companheira na sua caminhada.

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Luta X Aceitação – Por Psicóloga Kátia Niederauer – CRP 07/12906

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