Escolhemos esse vídeo para introduzir e ilustrar algumas das temáticas que estarão figurando em nossas próximas publicações. O vídeo ilustra o desenvolvimento sexual/afetivo e a trajetória amorosa de uma garota. Assistam e discutam conosco:

http://www.youtube.com/watch?v=geEekqElvI4&feature=player_embedded

Num primeiro olhar, essa pode parecer uma história comum. Mesmo assim, desafiamos você a assistir o vídeo novamente, mas agora atentando para a seguinte questão: você percebe que essa história ilustra diversos mitos e tabus que cercam a sexualidade humana? Você consegue perceber os mitos contidos no vídeo? Os mitos e acerca da sexualidade tabus existentes na sociedade estão tão arraigados em nossa cultura que a maioria das pessoas não percebe nada de estranho, diferente ou inesperado no vídeo.

Para alinhar nossa conversa, entendemos por MITO SEXUAL uma ideia ou explicação equivocada acerca da sexualidade humana, ou seja, algo em que se costuma acreditar, mas que não coincide com a verdade. Os mitos são pautados em informações errôneas, desconhecimento acerca do corpo e de seu funcionamento, além de uma educação sexual mal conduzida. Diante da falta de informação científica básica, surgem ideias e explicações no senso comum que, com o passar do tempo, acabam sendo difundidas socialmente como verdades.

Diferente do mito, o TABU SEXUAL está pautado no preconceito e na proibição relacionados a determinados atos ou práticas sexuais. O termo tabu, proveniente do polinésio, significa “sagrado”, “invulnerável”, trazendo a ideia de algo intocável, inviolável. Quanto a sua origem, os tabus são construções de ordem moral, estabelecidos por motivos sociais ou religiosos. Vale ressaltar que os mitos e tabus são construções sociais, que variam de acordo com o momento histórico e a sociedade na qual se originam.

Agora vejamos alguns mitos e tabus embutidos na história que assistimos. Primeiro o mito da “diferença de desejo e de prazer entre homens e mulheres”. O vídeo exemplifica claramente a equivocada ideia de que o “homem só pensa em sexo, enquanto mulher está sempre em busca do amor”. Afinal, aparecem anjinhos em forma de “pênis” sobre a cabeça dos homens e em forma de “coração” sob a cabeça das mulheres. Além disso, quando ela entrega seu coração pela primeira vez ele é desprezado, caracterizando que a intenção dele era apenas sexo, ao contrário dela que relacionou sexo com amor e se apaixonou.

Podemos destacar também o mito relacionado à “performance individual”, no qual se acredita que relação prazerosa está ligada a quantidade, ou seja, aquela que dura mais tempo e /ou aquela na qual se atingem mais orgasmos. Um exemplo deste mito aparece no vídeo, quando a mulher demonstra imensa satisfação (chegando a revirar os olhos) quando manteve várias relações sexuais consecutivas sem intervalo (ilustradas pelas diversas camisinhas que aparecem sobre o criado-mudo). A cena ilustra ainda a falsa ideia de que “homem bom de cama” é aquele que consegue ter várias relações seguidas em um curto espaço de tempo e sem intervalo, mito que desconsidera o período refratário masculino (tempo de resposta do corpo entre uma ejaculação e outra).

E ainda tem mais. Podemos observar o mito do “tamanho do pênis”, claramente explicitado em dois momentos: primeiro quando a mulher se relaciona com um homem de “pênis pequeno” e não sente prazer; segundo quando o vídeo apresenta a relação entre tamanho do pênis e aspectos raciais. Duas concepções equivocadas estão presentes nesse mito: a ideia de que quanto maior o pênis, maior o prazer; e a ideia de que o tamanho do pênis varia de acordo com características raciais.

Também aparece no vídeo o tabu contra as “fantasias sexuais e os objetos de sex shop”, que são erroneamente associados à perversão e a imoralidade. No filme, a mulher se envolve com um homem aparentemente tímido, mas descobre no momento da relação sexual que ele gosta de um sexo diferente do que ela está acostumada e fica muito assustada.

Vale destacar que nossa intenção nesta publicação não é discutir a fundo a origem nem a veracidade dos mitos/tabus, mas apresenta-los, pois serão discutidos individualmente em publicações futuras.

Existem ainda outros aspectos que aparecem na história e que são interessantes para discussões futuras, ainda que não se constituam necessariamente como mitos ou tabus:

– questões de gênero: coisas de menino/homem X coisas de menina/mulher;

– o amadurecimento do corpo e o amadurecimento afetivo: apesar de caminharem juntos acontecem em velocidades diferentes;

– a influência das experiências anteriores em nossos relacionamentos futuros;

– relação felicidade X casamento: a ideia de que só o casamento possibilita o “final feliz”;

– a questão do amor a primeira vista.

O importante aqui é percebermos o quanto MITOS e TABUS arraigados em nossa sociedade influenciam a vivência sexual individual. O que torna essas ideias tão perigosas é o fato de serem amplamente divulgadas e aceitas como verdade, reforçando posturas preconceituosas e discriminatórias. Além disso, contribuem para a normatização da sexualidade, através de regras morais e de desempenho que punem qualquer expressão diferente do que é amplamente aceito como normal e correto.

Sendo assim, reforçamos a importância de conhecer e desmistificar essas falsas ideias: E ESSE SERÁ NOSSO DESAFIO! Convidamos vocês a percorrer conosco esse caminho, buscando uma sexualidade mais livre, plena e feliz.

Texto retirado do site http://www.sexplicando.com/

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Uma Sexualidade Cercada por Mitos e Tabus

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